Dicas para o apt-get e o aptitude

O uso do gerenciador de atualizações e do Synaptic facilitam bastante a administração do sistema, permitindo que o Ubuntu seja usado por mais usuários. Apesar disso, a possibilidade de usar o apt-get via linha de comando para instalar novos pacotes e para atualizar o sistema continua disponível, assim como ao usar qualquer outra distribuição derivada do Debian.

O uso do apt-get é bastante simples. Ele trabalha baixando pacotes a partir dos repositórios oficiais do Debian ou do Ubuntu, de forma que você obtém sempre a versão mais atualizada. Para que o sistema funcione, é preciso baixar periodicamente uma lista com os pacotes disponíveis em cada servidor, permitindo que o apt-get mantenha seu banco de dados local. Isso é feito usando o:

$ sudo apt-get update

Ele deve ser executado regularmente, de preferência antes de fazer cada instalação, para que o sistema instale sempre as versões mais recentes dos pacotes. Para instalar qualquer pacote pelo apt-get, use o comando “apt-get install”, como em:

$ sudo apt-get install vlc

O apt-get instala automaticamente todas dependências do pacote, pedindo sua confirmação. Em muitos casos é mostrada também uma lista de pacotes recomendados, pacotes opcionais, que não são instalados por padrão, mas que podem adicionar funcionalidades importantes.

Quase todos os aplicativos gráficos criam um ícone no iniciar quando instalados, mas nos poucos casos em que isso não acontece, basta criar o ícone manualmente, usando o editor de menus. Outra dica é que você pode completar os nomes dos pacotes pressionando a tecla TAB, assim como nos demais comandos. Sempre que houver mais de uma possibilidade, pressionar o TAB pela segunda vez mostra a lista das alternativas possíveis. Você pode fazer buscas nos nomes dos pacotes usando o “apt-cache search” como em:

$ sudo apt-cache search theora

Ele retorna todos os pacotes que incluam o termo especificado no nome ou na descrição, ajudando a achar o que procura. Se você quiser ser mais específico, pesquisando apenas nos nomes nos pacotes, adicione a opção “-n”, como em:

$ sudo apt-cache search pulseaudio

Você pode também instalar vários pacotes de uma vez, incluindo todos na mesma linha, como em:

$ sudo apt-get install vlc mplayer

O apt-get só é capaz de instalar pacotes que estejam disponíveis nos repositórios especificados no “/etc/apt/sources.list”, o que nos leva de volta à questão dos repositórios adicionais. Se você não adicionou o repositório do Medibuntu, não vai conseguir instalar o pacote “libdvdcss2” necessário para assistir os DVDs protegidos por exemplo, recebendo de volta um “O pacote libdvdcss2 não tem candidato para instalação”.

Nesses casos, a solução é pesquisar por endereços de repositórios adicionais que ofereçam o pacote desejado, adicionar as linhas correspondentes no sources.list e rodar o “apt-get update” para atualizar as listas.

Continuando, para remover pacotes, basta usar o “apt-get remove”, seguido pelo nome, como em:

$ sudo apt-get remove evolution

Quase sempre, o nome do pacote é o mesmo nome do aplicativo e do comando usado para chamá-lo no terminal, o que facilita as coisas.

A principal observação é que o apt-get remove apenas o pacote especificado, sem mexer em outras bibliotecas e pacotes que foram instalados junto com ele. Para evitar que estes componentes desnecessários se acumulem, está disponível o “apt-get autoremove”, que se encarrega de localizar e remover os pacotes “órfãos”, que não são mais necessários:

$ sudo apt-get autoremove

Lendo listas de pacotes… Pronto
Construindo árvore de dependências
Lendo informação de estado… Pronto
Os seguintes pacotes foram automaticamente instalados e não são mais requeridos:
libdca0 libass1 libdvbpsi4 libvlc2 vlc-nox libiso9660-5 liblua5.1-0 vlc-data libtar libimlib2 libvlccore0 libvcdinfo0 libebml0 libmatroska0 libsdl-image1.2

Os pacotes a seguir serão REMOVIDOS:
libass1 libdca0 libdvbpsi4 libebml0 libimlib2 libiso9660-5 liblua5.1-0 libmatroska0 libsdl-image1.2 libtar libvcdinfo0 libvlc2 libvlccore0 vlc-data vlc-nox

0 pacotes atualizados, 0 pacotes novos instalados, 15 a serem removidos e 5 não atualizados.
Depois desta operação, 25,5MB de espaço em disco serão liberados.
Você quer continuar [S/n]?

É possível também atualizar o sistema diretamente via linha de comando, usando o

$ sudo apt-get update; sudo apt-get upgrade

Ou o:

$ sudo apt-get update; sudo apt-get dist-upgrade

A diferença entre os dois é que o “apt-get upgrade” atualiza apenas os pacotes que possuem atualizações diretas, ou seja, pacotes cujas novas versões não incluam novas dependências, enquanto o “apt-get dist-upgrade” faz uma atualização completa, instalando todos os novos pacotes que forem necessários. De uma maneira geral, utilizamos o “upgrade” para instalar atualizações de segurança e outras atualizações de rotina e o “dist-upgrade” ao atualizar para uma nova versão do sistema.

Em alguns casos, o apt exibe um prompt perguntando sobre a atualização de arquivos de configuração:

apt_html_58974ebf

Ele é exibido em casos em que você modificou um arquivo de configuração manualmente, como ao modificar a configuração do grub para inicializar outros sistemas. Nesses casos, o apt pergunta se você deseja manter sua configuração atual (que é a opção mais segura) ou se deseja instalar a nova versão do arquivo (versão do mantenedor do pacote), incluída na atualização. O problema em usar a nova versão é que você perde a sua personalização, tendo que fazer a configuração novamente.

Concluindo, você pode também atualizar pacotes individualmente. Nesse caso, basta usar o “apt-get install pacote”, como se quisesse instalá-lo novamente. O apt verifica os repositórios e oferece para instalar a nova versão, caso disponível.

Um detalhe interessante é que, mesmo ao atualizar um programa, as suas configurações são mantidas. Ao atualizar o Firefox ou o Konqueror, por exemplo, você não perde seus bookmarks. Isso acontece porque as configurações e arquivos referentes aos programas são armazenados em pastas ocultas dentro do seu diretório de usuário. Os bookmarks, cache, cookies e outros arquivos do Firefox, por exemplo, vão para a pasta “.mozilla/firefox”, dentro do seu home. O apt-get nunca altera estes arquivos, de forma que suas preferências sempre são preservadas durante os upgrades.

Um segundo tipo são os arquivos de configuração do sistema, que também fazem parte dos pacotes. Quando um pacote traz uma nova versão de um determinado arquivo de configuração, mas o apt-get percebe que o arquivo anterior foi alterado por você, ele pergunta se você quer manter o arquivo atual ou se você quer substituí-lo pela nova versão. O conselho geral nestes casos é responder não à substituição (que é o default). Isso mantém o arquivo atual, que, afinal, está funcionando. Autorize a substituição apenas quando você souber do que se trata.

Você pode também verificar os detalhes de um determinado pacote (esteja ele instalado ou não) usando o “apt-cache show”, como em:

$ apt-cache show vlc

Ele mostra um grande volume de informações sobre o pacote, incluindo a versão, o espaço que ocupa quando instalado, de quais outros pacotes ele depende (ou seja, a lista de pacotes que serão instalados junto com ele, a descrição, a página do projeto o mantenedor do pacote para o Ubuntu e assim por diante. Vendo as descrições dos pacotes antes de instalar, você pode aprender bastante sobre eles.

Embora o apt-get seja a ferramenta mais tradicional e a mais usada, ele disputa o posto com o aptitude, um “sucessor” que se oferece para resolver os mesmos problemas, mas oferece algumas vantagens técnicas sobre o apt-get.

A sintaxe básica é essencialmente a mesma, com a atualização das listas sendo feita com “aptitude update”, a instalação de pacotes com o “aptitude install pacote” e a remoção com o “aptitude remove pacote”, como em:

$ sudo aptitude update
$ sudo aptitude install mplayer
$ sudo aptitude remove totem

Ele pode ser usado também para atualizar o sistema, usando os parâmetros “upgrade” e “dist-upgrade”, da mesma forma que no caso do apt-get:

$ sudo aptitude dist-upgrade

Ele acumula também as funções do apt-cache, permitindo que você veja informações sobre um pacote usando o “aptitude show” e faça a busca por pacotes usando o “aptitude search”, como em:

$ aptitude show kaffeine
$ aptitude search sun-java

Em resumo, a escolha entre o apt-get e o aptitude recai mais sobre suas preferências pessoais, já que ele é outra ferramenta destinada a solucionar exatamente o mesmo problema. Muitas das deficiências do apt-get, que levaram ao aparecimento do aptitude já foram solucionadas nas versões recentes, o que faz com que as duas ferramentas se tornassem mais e mais parecidas em termos de funções. Isso fez com que a disputa entre os dois se tornasse mais um caso “Vi x Emacs”, que provoca discussões acaloradas entre alguns desenvolvedores, mas não faz muita diferença para os usuários finais.

O mais importante a enfatizar é que o aptitude é apenas mais um front-end para o apt, que pode ser usado em parceria com o apt-get, o Synaptic e outros gerenciadores de pacotes. Não existe nada de errado em alternar entre eles, usando um ou outro de acordo com a situação. Se usados corretamente, os resultados serão sempre os mesmos.

O aptitude também oferece uma interface de gerenciamento de pacotes, que é bastante popular entre administradores de sistemas, já que pode ser usada em servidores sem interface gráfica instalada, acessada via SSH. Para usá-la, basta chamar o aptitude sem argumentos, como em “sudo aptitude”:

apt_html_m479ca7d9

A interface é toda controlada através de atalhos de teclado, o que faz com que ela possa ser usada de maneira bastante eficiente depois de pegar o jeito, mas, ao mesmo tempo, faz com que ela seja horrivelmente inconveniente para quem está começando agora. Você pode atualizar as listas (apt-get update) pressionando a tecla “u“, marcar um pacote para instalação ou atualização selecionando-o na lista e pressionando a tecla “+“, remover pacotes pressionando “” e assim por diante (pressione a tecla “?” para ver a lista dos atalhos disponíveis e “q” para voltar ao menu principal). Assim como no caso do Synaptic, você pode marcar várias operações e executá-las de uma só vez pressionando a tecla “g“.

Outra dúvida comum é como configurar o apt para baixar os pacotes através de um proxy, o que é um problema no caso de muitas empresas, onde o acesso é restrito e feito apenas através de um proxy.

Nesse caso, crie o arquivo “/etc/apt/apt.conf.d/98proxy “, adicionando uma seção “Acquire”, especificando o login e a senha de acesso, o endereço do servidor e a porta utilizada por ele, como em:

Acquire{
HTTP::proxy “http://gdh:12345@192.168.1.254:3128”;
FTP::proxy “http://gdh:12345@192.168.1.254:3128”;
}

A linha “FTP” é necessária apenas se o arquivo sources.list incluir algum endereço de repositório acessado via FTP, o que é suportado pelo apt, porém raramente usado. Se você acessa através de um proxy simples, que não exige senha, a configuração é ainda mais simples:

Acquire{
HTTP::proxy “http://192.168.1.254:3128”;
FTP::proxy “http://192.168.1.254:3128”;
}

Como a configuração é checada cada vez que o apt é executado, basta usar um “apt-get update” depois de salvar o arquivo para testar a configuração; não é necessário reiniciar nenhum serviço.

Fonte: Link

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~ por 3c0linux em julho 28, 2010.

 
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